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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo VIII
  
De olho nas
tentações


1. A tarefa de viver neste mundo como seguidor de Jesus não é fácil, amados do Senhor. Mas, se soubermos nos apresentar vigilantes diante dos desafios que estão à nossa volta, poderemos resistir e ter sucesso nessa carreira ou missão. Antes, precisamos identificar as dificuldades iniciais na caminhada cristã.

2. Com esse interesse em mente, Paulo escreve aos gálatas para desafiá-los a perceberem seus deslizes, e para mostrar como sucumbiram (ou estavam por sucumbir) às tentações. São lições preciosas para nós, cristãos do século 21.

3. O primeiro desafio para o cristão é o “presente século mau” (1.4), isto é, o estado de coisas que marcam a era em que se vive. Segundo as Escrituras, essa era é marcada pela pecaminosidade. Paulo mostra que Cristo já nos resgatou desse domínio, quando se deu na cruz por nossos pecados e, posteriormente, venceu a morte pela ressurreição. Não deixemos, portanto, que a mentalidade desta época, nas formas do materialismo, secularismo, ganância, insensibilidade, individualismo, sensualidade, rebeldia e tantas outras coisas, se imponha sobre nós!

4. Outra grande tentação é sucumbir diante de “falsos irmãos” (2.4), que na aparência de santidade, não andam conforme a verdade do evangelho, induzindo cristãos ao erro. Muitos são os líderes evangélicos que têm se portado assim, ostentando-se cristãos professos, mas destituídos do conhecimento de Deus e da piedade de vida.

5. Outra tentação expressa por Paulo nessa Carta aos Gálatas é “não romper definitivamente com a velha natureza”. Paulo usa várias expressões para mostrar esse perigo na vida dos cristãos da Galácia:

6. Primeiro, diz que eles correm o perigo de “tornar a edificar o que foi destruído” (2.18), naquele contexto, significando o perigo de voltar aos ditames da lei, impedindo a ação eficaz da graça salvadora. Para Paulo, essa atitude também é “acabar pela carne” (3.3b), ou seja, viver distante da influência de Deus e seguir os desejos e instintos naturais pecaminosos. Diz ainda que os gálatas queriam “tornar aos rudimentos fracos e pobres” (4.9), e, mais explicitamente, diz que queriam “estar debaixo da lei” (4.21a) ou a frase sinônima “dobrar-se a um jugo de escravidão” (5.1), referindo-se evidentemente à ineficácia e à impotência da lei diante da maldição do pecado e também à adoção da prática da circuncisão para os novos crentes, que é um ato cerimonial importantíssimo para o judaísmo, ao qual Paulo se refere ironicamente em Gálatas 5.12 e explicitamente em 6.12.

7. Outro grande inimigo a ser enfrentado pelo novo crente é o “fascínio pelo líder”, que é algo natural do ser humano, ainda que não seja uma atitude sábia. Como crianças espirituais, novos crentes tendem a “idolatrar” seus líderes. Notemos a pergunta de Paulo aos gálatas: “Quem vos fascinou?” (3.1).

8. Os cristãos da Galácia estavam sendo iludidos pelos judaizantes, pois “fascinar”, no idioma usado por Paulo, o grego, significa desde falar mal (provavelmente, da graça salvadora em detrimento das obras) até enfeitiçar ou encantar. Quantos não são, pergunto-vos, os mestres da oratória em nossos dias, nos meios de comunicação e nos púlpitos de nossas igrejas, que convencem os novos crentes com suas crendices, levando-os a tomarem atitudes altamente prejudiciais, quando não totalmente destituídas de embasamento bíblico?

9. Segundo a Palavra de Deus, a cultura do evangelho é a resposta final para as questões submersas nesse mar do social que é influenciado pelo inimigo de nossas almas: “...o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos...” (2Co 4.4). O cristão é convidado a resistir ao mundo e à mentalidade pecadora, à semelhança do que fez Paulo: “...rejeitamos as coisas ocultas, que são vergonhosas, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus...” (2Co 4.2a). Se a mentalidade moderna é produtora de ídolos (e exige adoração), ressoa em nossos ouvidos a pergunta paulina: “...que sociedade tem a justiça com a injustiça? Ou que comunhão tem a luz com as trevas? Que harmonia há entre Cristo e Belial?...” (2Co 6.14b,15a).


9. Quando a igreja deixa de tomar uma posição disciplinar em relação aos perturbadores da paz também é muito prejudicial para o novo crente, conforme afirma Paulo: “aquele que vos perturba, seja quem for, sofrerá a condenação” (5.10b). Paulo ilustra a sentença com a imagem do fermento e seu poder transformador na massa. Obviamente, tal condenação deveria ser a exclusão desses indivíduos que deturpavam o evangelho da comunidade cristã na Galácia.

10. Há, portanto, grande responsabilidade pesando sobre os ombros da igreja, a do exercício da disciplina cristã, quando é o caso da descaracterização do evangelho por qualquer de seus membros, mesmos aqueles que parecem ter funções de liderança. Esse processo disciplinar deve ficar sempre caracterizado pelo desejo de resgatar a verdade do evangelho. Caso haja manifestação de arrependimento, diante de Deus, por parte da pessoa ofensora, restaura-se a ordem. Fala-se de “processo” disciplinar, porque a igreja precisa permitir o direito de defesa dos acusados, (se possível) visitá-los em comitiva autorizada pela Assembléia regular e, ainda, exercer o direito da exclusão do membro, caso fique comprovada sua atitude errônea e a sua não-manifestação de arrependimento diante de Deus e da igreja.

11. Dentre os perigos vividos na própria individualidade, está a atitude de vanglória (5.26), que é o mesmo que tornar-se envaidecido, ou pior, presunção em demasia ou sem razão, quase sempre em detrimento dos outros.

12. Essas dificuldades iniciais do novo crente em Cristo são reais. Devemos resistir a elas e, com vigor, permanecer trilhando o bom caminho que escolhemos. Para isso, é fundamental a convivência no templo: “não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros...” (Hb 10.25a). A vida em comunidade nos prepara para o enfrentamento do pecado, afinal, como afirma o escritor aos Hebreus, acerca da igreja: “Nós, porém, não somos daqueles que recuam para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma” (Hb 10.39). 

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo VII
O testemunho
apostólico acerca de Cristo


1. O testemunho do evangelho de Cristo tem na cidade de Jerusalém o seu ponto de partida. Mesmo Paulo, que fora chamado por Deus para pregar o evangelho nas mais distantes regiões do mundo, teve que passar por Jerusalém (1.18). Jerusalém era o centro mais importante para a formação religiosa dos judeus, sendo a pátria do culto judaico e o berço da igreja cristã.

2. O provável motivo de Paulo é a necessidade de compartilhar sua experiência missionária. Enquanto ele trabalhava entre os gentios, os demais apóstolos testemunhavam em meio aos cristãos judeus. Ele queria dar-se a conhecer: “não era conhecido de vista das igrejas da Judéia” (1.22). Na Carta aos Gálatas, Paulo nos informa sobre duas dessas visitas: uma ocorrida três anos depois de sua conversão, quando se encontrou com os apóstolos Pedro e Tiago, e outra, mais de uma década depois, em que fora acompanhado por dois companheiros de missão: Barnabé e Tito.

3. Os apóstolos que trabalhavam antes de Paulo constituíam-se na liderança da igreja primitiva, sendo que dentre os que pregavam aos judeus se destacam dois: Tiago, irmão de Jesus e Simão Pedro, a quem Paulo chama pelo apelido Cefas ou por Pedro (que quer dizer rocha). Paulo coloca junto deles um terceiro apóstolo: João, o discípulo amado (1.18,19; 2.9).

4. Não se deve menosprezar a importância de Pedro para a igreja recém surgida. Além da confissão de fé narrada pelo evangelista Mateus (16.16-18), o testemunho de Paulo na Carta aos Gálatas reafirma Pedro como uma autoridade reconhecida pelas igrejas do mundo gentílico. A afirmação de Mateus formaria a base da fundação da igreja, e Pedro se tornaria porta-voz da herança evangélica deixada por Jesus. Tão proeminente era Pedro que, mesmo sem ter jamais visitado a cidade de Corinto, tinha lá seus partidários (1Co 1.12).

5. A Igreja Católica Apostólica Romana crê que seus Pontífices (Papas) sejam herdeiros desde primado de Pedro, constituindo-se eles mesmos nos mandatários da igreja cristã em todo o mundo, através dos tempos. Nós, cristãos evangélicos batistas, rejeitamos esta posição, pois não percebemos, nas páginas do Novo Testamento, orientações para que os apóstolos fossem substituídos após sua morte. Serviram, de fato, como líderes, mas seu papel não era permanente, e sim escatológico.

6. Tiago é reconhecido como o primeiro líder administrativo (pastor) da igreja em Jerusalém, e não um sucessor de Pedro, nem como bispo, nem como papa. Tem papel fundamental no concílio da igreja em Jerusalém (At 15) que decidiu pela aceitação dos gentios na igreja. Esse concílio aconteceu devido aos resultados positivos da primeira viagem missionária de Paulo. Os líderes judeus insistiam na circuncisão dos gentios convertidos para que esses fossem aceitos. Com a recusa de Paulo à escravidão da lei, e seu apego à liberdade da graça, a questão foi decidida diante da palavra dos apóstolos. Tiago ficou com a última palavra, favorável à tese de Paulo.

7. A estratégia adotada por Paulo no seu confronto com a liderança da igreja em Jerusalém não pode passar despercebida: “expus o evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que eram de destaque...” (2.2)

8. Não é sem razão, portanto, que Paulo considere os apóstolos que o antecederam “colunas” (2.9), pessoas de autoridade, principalmente, no campo da exposição do evangelho da salvação (doutrina). Essa era uma lembrança necessária à igreja na Galácia, que parecia estar incorrendo no mesmo erro anterior.

9. Dentre os companheiros de Paulo, citados em Gálatas, Tito tornou-se um líder da igreja gentílica, a quem Paulo escreveu uma carta quando estava preso, deixando orientações para a continuidade da obra missionária. Barnabé, por sua vez, tem sua história relatada por Lucas no livro de Atos com maior nitidez. Era um levita originário da ilha de Chipre, um homem de valor no campo intelectual e que possuía boa formação bíblica.

10. Em Gálatas 2.7-9, pode-se perceber a clara divisão geográfica do testemunho evangélico apostólico. Paulo advoga para si (e seus companheiros de viagem) o trabalho junto aos incircuncisos (não-judeus ou gentios), enquanto que Pedro, na mesma medida, fica responsável pelos judeus (os da circuncisão). Isso demonstra a proposta do evangelho de tornar Cristo conhecido em todos os lugares, para a salvação de todo aquele que crê, sem distinção de raça, cor ou origem.

11. Paulo causa surpresa ao apresentar, no texto de Gálatas, um momento de tensão entre ele e o apóstolo Pedro (2.11-s). A questão está relacionada a uma atitude perigosa tomada por Pedro, quando visitara a igreja em Antioquia da Síria, à época sob a liderança de Barnabé e Paulo (At 11.20-26): “antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios; mas quando eles chegaram, se foi retirando e se apartava deles, temendo os que eram da circuncisão”. Pedro, cedendo às pressões dos judeus que chegaram de Jerusalém, passou a evitar a companhia dos gentios com os quais estava compartilhando sua refeição. Tal acepção de pessoas é algo condenável ao comportamento cristão, afinal, todos os que ali estavam eram irmãos em Cristo. Por essa razão Paulo fala sobre Pedro: “resisti-lhe cara a cara”, ou seja, repreendeu-o em sua conduta hipócrita.

12. Lembremo-nos de agradecer a Deus por esses servos que atenderam à vocação apostólica e empreenderam suas energias e esforços para evangelizarem o mundo de sua época. Que eles nos sirvam como exemplos para a nossa conduta diante do desafio da evangelização mundial.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo VI

o que vem
de Cristo

1. A partir da libertação do pecado, proporcionada por Deus ao pecador, o cristão passa a receber muitas bênçãos. Eis, portanto, vindas de Cristo, as bênçãos celestiais sobre nós, tal qual nos apresenta Paulo.

2. Na epístola aos Gálatas, o apóstolo Paulo usa a expressão “de Cristo” depois de cada bênção específica. “De Cristo” pode significar “pela mediação de Cristo” – o que ocorre quando Paulo fala da escolha para que ele fosse apóstolo – ou, então, “que procede de Cristo ou é causada por ele”, na maioria das vezes.

3. Paulo fala de seu “apostolado por Jesus Cristo” (1.1). Jesus Cristo é o agente do chamado de Paulo para o ministério apostólico. Assim, entendemos que nossa vocação tem origem em Deus. Nada somos no reino dele por nós mesmos. Ele nos capacita para exercer nossa vocação.

4. Paulo apresenta também “a graça do Senhor Jesus Cristo” (1.3), que foi efetivada pelo desprendimento do próprio Deus, “que deu o seu Filho unigênito” para salvar os pecadores (Jo 3.16). É interessante que a graça de Deus só pode existir “em Cristo”. Fomos chamados para viver “na graça de Cristo”, envolvidos por Cristo (1.6; 6.18).

5. Paulo também fala da “paz de Cristo” (1.3). Aqui, quer mostrar Jesus como o mediador da paz (reconciliação) entre Deus e o homem pecador. Notemos, irmãos, que essa paz, produzida pela liberdade da culpa do pecado, traz segurança e tranquilidade, inclusive para as relações entre os crentes na igreja. Como afirmou Paulo, em outra de suas epístolas, a paz de Cristo cria laços fortíssimos de companheirismo (Ef 4.3).

6. Paulo aborda, também, a questão do “evangelho de Cristo” (1.7). Refere-se à pregação do evangelho que tem Cristo como conteúdo. A mensagem precisa ter Cristo como centro. Na carta aos Gálatas, o desvio intencional na mensagem é considerado uma perversão, uma descaracterização do evangelho (1.6-9). Por essa razão, luto, como pastor-educador na igreja local, para zelar pelo conteúdo cristão expresso no ato de culto, na escola bíblica, nas canções de louvor e na pregação de púlpito.

7. Um episódio muito debatido nesta Carta aos Gálatas é quando Paulo fala que o conteúdo de sua proclamação apostólica vem “da revelação de Jesus Cristo” (1.12,16). O apóstolo parece se referir, com esta expressão, ao episódio de sua conversão em Atos 9. Na passagem, Paulo viajava de Jerusalém para Damasco, a fim de prender os cristãos. Ele foi jogado da sela de seu cavalo ao chão, e se viu cercado por um enorme clarão de luz. Ali, Paulo ouviu o próprio Cristo ressurreto questioná-lo quanto à sua ação contra os cristãos. A vida de serviço deste homem de Deus começava. Notem que essa revelação é o desvendamento, por iniciativa de Deus (Ef 1.9), do seu propósito secreto nas relações com o homem, fazendo-o ver a real condição de perdição eterna e permitindo-lhe uma mudança de rumo. Não se refere, portanto, a descobertas diárias e contínuas da vontade de Deus, pois estas se fazem pelo estudo bíblico e pela oração.

8. Como já afirmou em tantas outras Cartas, Paulo dá muita ênfase ao “Espírito de Cristo” (4.6). Com isso quer dizer que Cristo se faz presente e atuante na relação do crente na pessoa do Espírito Santo. Nessa passagem de Gálatas, encontra-se a doutrina da habitação plena do Espírito Santo no salvo. É o Espírito Santo o agente da salvação. O doador da vida e o mantenedor da condição liberta do cristão. Segundo diz Paulo, em Gálatas 3.2, isso se dá quando o pecador crê: “pelo ouvir com fé” se recebe o Espírito e tem início a nova vida. Cremos, portanto, que não pode haver nova vida sem que o Espírito Santo esteja no crente.

9. Um dos temas centrais da Carta aos Gálatas é “a liberdade de Cristo” (5.1). Quando Paulo afirma que fomos libertos “para a liberdade”, não quer dizer que não há normas ou regras no viver cristão, ou que o cristão pode fazer qualquer coisa. Paulo explica que a liberdade do Espírito de Cristo é um estilo de vida em oposição ao pecado, em direção à vontade de Deus. É liberdade “do pecado” para “o serviço a Deus”. Não há lugar para legalismo e justificação por obras. Obras não salvam. São consequências naturais de uma vida guiada pelo Espírito.

10. A “lei de Cristo” (6.2) se encontra no final da carta, como que resumindo o pensamento de Paulo sobre a força motriz da liberdade. É preciso “cumprir” a lei de Cristo, isto é, buscar que Cristo preencha totalmente e em toda a medida a própria vida. Paulo explicara, um pouco antes, em Gálatas 5.13 e 14, que a lei tem importância para o cristão, mas que ela se materializa num único gesto: o amor. O amor que devemos a Deus nos leva para a atitude de serviço ao próximo (5.13).

11. A “cruz de Cristo” é, muitas vezes, motivo de perseguições para o crente (6.12). À época dessa Carta, com certeza, ser cristão era ter a vida ameaçada a cada instante. Paulo explica que os cristãos da Galácia estavam sendo tentados a se unirem ao judaísmo (uma religião tolerada pelo Império Romano) para, assim, fugir das perseguições movidas pelo império contra os seguidores de Cristo, considerados por eles como agitadores da ordem e inimigos do estado. Para Paulo, ser cristão é “estar crucificado com Cristo” (6.14), o que é um motivo de glória, isto é, o sentimento de confiança na eficácia da obra de Cristo em nós. Fomos libertados do pecado (o mundo está crucificado para nós) para servir a Deus (estamos crucificados para o mundo).

12. De fato, muitas bênçãos provêm de Cristo em nossa vida. Mas não aquelas que constituem o desejo materialista de nossa sociedade moderna. Enquanto alguns, dizendo-se religiosos, proclamam em alta voz que Deus quer vos dar um “bom” emprego, prosperidade econômica, carro, casa etc., Paulo afirma que “em Cristo” Deus vos dá graça, paz, uma mensagem para proclamar, a revelação de seu propósito para a vossa vida, a liberdade das amarras do pecado, uma disposição insuperável para amar, um desejo de servi-lo. Atentemos, pois, para estas coisas e, com efeito, ao buscá-las, todas as demais nos serão acrescentadas (Mt 6.33).

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo V

a nova percepção
de vida do cristão


1. Nada é tão lindo para o cristão do que a nova maneira de ver o mundo e viver nele após sua conversão a Jesus... Mas como isso se dá? Quais são os principais acontecimentos que dão origem a esta mudança? As pessoas à nossa volta conseguem notá-la? Paulo pretende mostrar nos mínimos detalhes sua experiência com Cristo. Vamos ouvi-lo:

2. A mudança na vida do apóstolo aconteceu quando “aprouve a Deus” (1.15a), ou seja, quando Deus resolveu, desejou. Ele já havia afirmado que homem algum o tinha ensinado ou convocado para a missão de sua vida, mas o próprio Deus fora responsável por sua mudança.

3. A mudança ocorreu porque Deus o havia separado “desde o ventre da mãe” (1.15b), ou seja, que Deus decidira que daria termo ao seu desejo para a vida e a carreira de Paulo, designando-o como apóstolo, conduzindo-o durante toda a sua existência.

4. A mudança ocorreu porque Paulo respondeu ao chamado de Deus, como um favor imerecido, mas livremente outorgado pela bondade divina, que a todos quer salvar. Diz-nos o apóstolo: “e me chamou pela sua graça” (1.15b).

5. Pela instrumentalidade da graça, Deus concede aos pecadores, que estão destituídos de méritos pessoais, o perdão de suas ofensas, ao mesmo tempo em que estende o convite para que recebam a salvação eterna em Cristo;

6. Todos nós, que respondemos ao chamado da graça, pela conversão a Cristo, somos guardados, fortalecidos e aumentados em nossa fé e conhecimento de Deus, para que Cristo seja formado em nós (4.19b).

7. Essa formação se dá pela reprodução do caráter de Cristo em cada salvo, quando o mesmo vive em obediência aos mandamentos de Deus. Por isso afirmou o apóstolo João: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, nele realmente se tem aperfeiçoado amor de Deus. E nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz estar nele, também deve andar como ele andou” (1Jo 2.5,6).

8. A mudança ocorrida é percebida por todos, conforme podeis conferir na leitura dos últimos versículos do primeiro capítulo: “Não era conhecido de vista das igrejas de Cristo na Judéia; mas somente tinham ouvido dizer: Aquele que outrora nos perseguia agora prega a fé que antes procurava destruir; e glorificavam a Deus a respeito de mim”.

9. Os cristãos que habitavam na região da Judéia, depois de terem ouvido que aquele homem perigoso, que perseguia os cristãos e os encerrava em prisões ou consentia na sua morte, agora pregava o evangelho da salvação, passaram a exaltá-lo, revesti-lo de honra (v. 24).

10. A mudança ocorrida na vida do homem que se entregou aos cuidados de Cristo é facilmente perceptível ao mundo. O comportamento antigo, que era conduzido pela natureza humana pecaminosa, é substituído por outro, de grande impacto.

11. Essa mudança pode ser entendida com uma imagem interessante: Imaginemos uma população vivendo numa cidade pequena, cercada de altos muros por todos os lados. São tão altos, que impedem a visão para fora dos limites da cidade. Num certo dia, um relâmpago atingiu uma grande árvore, que foi derrubada em direção ao muro. Um morador da cidade resolveu escalar aquela árvore e, surpreso, vislumbrou nos arredores da cidade uma grande e bela pradaria, com animais pastando tranqüilos, e mais ao longe um rio que alimentava uma bela floresta. Aquele homem deu pulos de alegria, desceu e contou a novidade aos outros. Muito rapidamente, abriram uma passagem e saíram para não mais voltar. Afinal, o outro mundo era melhor.

12. Assim se explica a libertação espiritual do cristão. Antes, vivia cercado pelos muros do pecado, sem perceber a beleza da vida que Deus proporcionava ao seu redor. Agora, com a salvação recebida pela fé em Cristo Jesus, foi derrubado o muro do pecado, e abriu-se uma porta para a chegada ao reino dos céus. A grande mudança foi de um reino (o do pecado) para outro (o de Cristo). Por essa razão, Paulo disse: “Se estivesse ainda agradando aos homens, não seria servo de Cristo” (1.10b).

domingo, 10 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo IV

Uma espiada na
velha vida

1. Será que paramos para pensar sobre quem éramos antes de Jesus Cristo mudar o rumo de nossa caminhada? Na velocidade em que a vida passa diante de nossos olhos, nem sempre nos detemos para essa importante reflexão. Entretanto, essa ação se constitui num dado relevante para o bem-estar das nossas relações cristãs no presente.

2. Às vezes, nossa história passada não oferece muitas possibilidades de orgulho e sentimento de bem-estar. A imagem que temos de nós mesmos encontra-se esvaziada, desvitalizada, isso porque está perdida na padronização que o pecado nos impõe. O fato é que perdemos nossa singularidade, aquela fagulha que mostrava nosso potencial único e pessoal, e que nos distinguia de todos os demais. O pecado iguala todos os homens numa categoria: a das pessoas que têm, dentro de si, neutralizada a potencialidade criativa para a relação com o Criador e com os demais.

3. Mas isso não deve ser assim. O passado pode se tornar num instrumento de transformação, se a imagem que tivermos dele incorporar um paradoxo com o presente. Ou seja, olhar o passado com a perspectiva de quem mudou, avançou, progrediu, ganhou vida.

4. Uma das maneiras de falar do passado é por meio do testemunho. Isso ocorre quando um cristão é convidado pela igreja para falar como era a vida antes de Cristo, e como ficou depois da adesão à fé cristã.

5. Em Gálatas, Paulo foi forçado a fundamentar sua autoridade como apóstolo, pois ele estava sofrendo severas críticas de seus oponentes, todos eles posicionando-se em favor da lei e das tradições judaicas. Paulo precisou fazer uso dessa visão geral de sua conversão, incluindo até mesmo um relato de seu comportamento agressivo contra a igreja, quando ele estava a serviço do Sinédrio. Vamos entender por quê:

6. Em primeiro lugar, como uma tentativa de embasar sua luta contra o legalismo. É obvio que, para aqueles que defendiam a observância estrita das leis para a salvação, o currículo apresentado por Paulo é de causar inveja. Vejamos:

7. Ele diz que perseguia a igreja e a assolava, isto é, buscava a sua destruição (1.13). São palavras dele: “na minha nação excedia em judaísmo a muitos da minha idade, sendo extremamente zeloso das tradições de meus pais” (1.14)

8. Paulo pretendia mostrar que tinha uma posição de destaque entre todos aqueles que adotavam os costumes e ritos judaicos. Seu passado, aos olhos dos judeus, era impecável.

9. Ser “zeloso das tradições dos antepassados” significa demonstrar lealdade intensa à religião judaica e uma ardente devoção ao estrato religioso mais separatista e legalista dos judeus: os fariseus.

10. Os opositores de Paulo teriam tal testemunho a dar? Com toda a certeza, não. Mas aí se encontra a grande cartada de Paulo. Ele abriu mão de tudo isso por amor a Jesus Cristo, em favor da salvação pela graça! Ele agora já incorporava a diferença, aquela singularidade trazida pela nova condição espiritual em Cristo Jesus.

11. Muitos estranham a atitude de Paulo, de testemunhar a passagem da maneira antiga de viver para a atual condição, em Gálatas. Entendamos: não se tratava apenas de buscar a exaltação pessoal. Paulo não se orgulhava do que fizera no passado. Mas ele sabia que Deus o escolhera, um zeloso fariseu, para, com sua própria vida, trabalhar para a conversão de outros como ele ao Senhor Jesus.

12. Com a suspeição dos judeus para com Paulo, devido ao seu passado, o apóstolo tornou-se o missionário maior dos não-judeus, os gentios. Fica para nós uma lição: Não podemos deixar de demonstrar com coragem e alegria o fato de termos sido resgatados de nossa antiga forma de viver. Com o nosso testemunho, Deus pode convencer outros que viviam como nós, trazendo-os para a mesma realidade da liberdade em que agora vivemos.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo III
  
Dos que deturpam
o evangelho da salvação
  


1. Da mesma maneira que lemos nas páginas do Novo Testamento sobre os apóstolos de Deus, lemos sobre os ‘falsos apóstolos’. Sempre haverá pessoas que se aproveitarão da boa fé dos outros, de sua ingenuidade, de sua inexperiência. Na Bíblia, aqueles que assim procedem dentro das fileiras do cristianismo são chamados “falsos apóstolos”.

2. As igrejas que estavam na região da Galácia eram vítimas de mestres judeus, de origem legalista, de uma religião chamada Judaísmo, como o tinha sido o próprio Paulo, antes de sua conversão a Cristo.

3. Ele mesmo afirma que, como oficial do Tribunal mais importante do Judaísmo, o Sinédrio, atuou como um inimigo de Deus: “...já ouvistes qual foi outrora o meu procedimento no judaísmo, como sobremaneira perseguia a igreja de Cristo e a assolava...”. (1.13)

4. Aqueles que o conheciam daqueles tempos, e que ainda permaneciam no Judaísmo, podiam usar deste conhecimento para desviar a atenção dos novos crentes, arrogando para si a condição de “apóstolos”, rivais de Paulo e de seus ensinos.

5. Segundo Gálatas 1.7, estes falsos apóstolos causavam alvoroço, comoção e agitação na comunidade cristã que Paulo evangelizara. Perverter o evangelho de Cristo, como diz Paulo, pode ser entendido também como tirar o crente de sua fé e fazê-lo aderir à outra crença. E fazem isso com zelo, que significa ardor, fidelidade partidária, ainda que destituídos de bons motivos, como bem explica o apóstolo Paulo em Gálatas 1.17.

6. Duas perguntas me vêm à mente: Não parece ser esta a estratégia de todos os inimigos do povo de Deus? Ou ainda: Prega-se hoje um evangelho que seja “o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (Rm 1.16) ou “outro” evangelho, caracterizado pela ausência de doenças, pela prosperidade econômica, pela reorganização social e política? Isso me faz recordar uma aula na Faculdade de Comunicação Social, onde a Dra. Simone Orlando comentava suas percepções do indivíduo, nos últimos 50 anos (pós-modernidade ou modernidade tardia – fiquem à vontade...). Segundo a professora, nossa época é marcada pelo esvaziamento do coletivo, por uma sensação de liberdade e pelo “culto ao eu”. Aqui está, penso, a essência da deturpação do evangelho por falsos pregadores.


7. Fica evidente, pelo tom agressivo do texto de Paulo nos versículo 8 e 9 do primeiro capítulo, que os deturpadores do evangelho salvador de Deus estão debaixo de grave advertência. Nos textos religiosos do mundo daquela época, a expressão usada por Paulo, “anátema”, significava a maldição dos deuses infernais!

8. A referência, irmãos, a anjos do céu ou a outros pregadores (1.8,9) como possíveis fontes de uma falsa mensagem ou de uma pregação cujo teor contraria o evangelho da salvação, é para demonstrar que a mensagem de Deus não pode ser mudada.

9. Infelizmente, vemos essas coisas acontecerem em nossos dias, quando pessoas afirmando ser porta-vozes de Deus, irresponsavelmente, agem no meio da igreja, trazendo dor e confusão, impedindo, por causa de seu comportamento, que outros creiam em Cristo.

10. Isso acontece por dois motivos: ou esses falsos apóstolos buscam ganhar a amizade dos homens (e serem favorecidos com isso!) ou estão a serviço de outros interesses que não os de Deus! (1.10).

11. Fato é que vivemos num “casulo diferente” daquele que começou a história da educação religiosa no Brasil (que já tem 100 anos) e acabamos nos tornando “borboletas diferentes”, por conta da ressignificação que damos à trama da cultura urbana híbrida e volátil que nos envolve. Não podemos nos deixar seduzir por este mundo (Rm 12.2).

12. Paulo nos informa, amados, que o verdadeiro porta-voz de Deus não pode conformar-se com os seus próprios desejos ou os de outrem, mas deve responder com total e incontinente serviço àquele que o convocou para a sua obra. Portanto, só os mensageiros que anunciam com integridade o evangelho da salvação, que liberta o homem do poder do pecado, podem assumir um serviço voluntário e desejoso de agradar a Deus. 

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo II
Dos que anunciam
o evangelho da salvação



1. Quanto à evangelização do mundo, convém saber que Deus escolheu dentre os homens alguns para serem seus mensageiros, pois os anjos faziam este papel no Antigo Testamento e nos primeiros séculos da Era Cristã, mantendo um papel relevante na vida dos primeiros discípulos.


2. Antes da vinda de Cristo, os homens escolhidos para esta missão eram chamados profetas, verdadeiros porta-vozes divinos que anunciavam a chegada daquele que era o Messias, o Salvador, o enviado de Deus: Jesus Cristo.


3. A partir de Jesus Cristo, e com o surgimento da igreja, vemos surgir uma nova faceta desta evangelização, a nomeação de apóstolos, dentre eles, o ‘pequeno’ Paulo (esse é o significado de seu nome);


4. Não houve, queridos irmãos, nenhum apóstolo como Paulo, no sentido de sua formação intelectual e de seu zelo religioso, no sentido de sua profunda compreensão do Antigo Testamento, interpretado à luz de Cristo, com total maestria.


5. Devemos ao seu ministério apostólico a nossa atual condição de salvos, como ele explica na seguinte afirmação: “Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça, revelar seu Filho em mim, para que eu pregasse entre os gentios...” (1.15,16a). São gentios todos aqueles que não são judeus. Dessa forma, entendemos que nós, os cristãos do Ocidente, somos todos gentios.


6. Paulo não resolveu ser o “apóstolo dos gentios” por sua própria vontade. Ele foi escolhido para fazê-lo. Essa é a fonte da autoridade apostólica deste grande mestre cristão!


7. Um apóstolo, como a palavra quer significar, é alguém escolhido para levar uma mensagem, alguém enviado por uma pessoa com uma mensagem a transmitir, alguém que recebeu sua comissão diretamente de Deus. No caso específico da igreja de Cristo, apóstolos foram os homens escolhidos por Jesus para serem suas testemunhas autorizadas dos acontecimentos de sua vida e obra, para vê-lo depois de ressurreto e para dar testemunho dele à humanidade. Receberam o apostolado diretamente de Cristo e, nesse sentido, são únicos. Não se sustenta o título de apóstolo em nossos dias, biblicamente falando. A comissão divina para este ministério específico ficou restrita àqueles que foram colunas da igreja recém-formada.


8. No começo da Carta aos Gálatas, Paulo afirmou que sua escolha para ser apóstolo não foi “da parte de homens” ou “por intermédio de homens” (1.1). Isso significa que seu apostolado era originado fora de si mesmo e de qualquer instituição humana. Tinha origem divina.


9. Tal afirmação nos leva a questionar a reprodução nos nossos dias de uma nova elite de “apóstolos”, que se dizem ligados a determinadas comunidades religiosas. O título de apóstolo, por escolha divina, de representação, como proclamadores do evangelho serve apenas para aqueles que foram “diretamente comissionados” por Jesus. Como são usados hoje, servem apenas como titulação hierárquica que distingue uma pessoa dos demais componentes do corpo de Cristo. Não nos deixemos enganar!


10. Outra interessante constatação é que o trabalho “apostólico” na Bíblia é itinerante, como se pode perceber nos versículos 17 a 21 do primeiro capítulo de Gálatas. O ofício apostolar era pregar o evangelho, formar as bases das novas comunidades, muitas vezes, permanecendo entre essas comunidades por algum período de tempo.


11. Parece-nos mais promissor entender que todos nós, cristãos, responsáveis pela transmissão do evangelho, agimos como apóstolos, ainda que não carreguemos esta titulação. Por outro lado, os missionários, plantadores de igrejas, espalhados por todo o mundo, são os que mais se aproximam da função apostolar, conforme anuncia Paulo em Gálatas. Em 2008, tive grande prazer em conhecer e trabalhar com dois destes, homens especiais, dedicados à missão evangelística: os pastores Washington e Rubens, no estado do Ceará. São dois belos exemplos de trabalho apostolar, em nossos dias, sem necessidade de qualquer titulação oficial, senão a de pastores.


12. Convém observar, queridos irmãos, que o título “apóstolo” foi concedido pela mediação do próprio Cristo! Paulo, nosso apóstolo em questão, reafirma sua autoridade para representar o próprio Deus com a mensagem evangélica, quando diz: “porque não o recebi [o evangelho] de homem algum, nem me foi ensinado, mas o recebi por revelação de Jesus Cristo” (1.12). 

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

Capítulo 1




O motivo
deste manuscrito



1. Davi, pastor evangélico batista, ordenado por Deus aos vinte e um dias de dezembro de 1991, para servir como pastor na IB Monte Castelo, Nova Iguaçu, Associação Primeiro Centenário e, aos sete dias de dezembro do ano de 2002, empossado no ministério da Primeira Igreja Batista da Fazenda Botafogo*, Associação Norte Carioca, segundo a graça e a misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo,


2. aos amados do Senhor Jesus Cristo, como rebanho congregado na localidade da Fazenda Botafogo, Coelho Neto, Rio de Janeiro; aos queridos e diletos amigos e irmãos em Cristo que, como eu, militam na liderança cristã; e, em especial, aos novos convertidos que iniciam sua caminhada cristã:


3. No intuito de que haja o entendimento por todos vocês da liberdade que existe na graça de Cristo, que nos livrou do domínio e da escravidão do pecado, escrevo para vos fortalecer cada vez mais na comunhão de Deus.


4. Muitos novos-crentes foram por mim batizados no decorrer dos anos de 2005 a 2008. Não apenas na Fazenda Botafogo, mas em igrejas co-irmãs, como a Primeira Igreja Batista de São Mateus, SJM, RJ, o Senhor Jesus me concedeu a oportunidade e o privilégio de batizar. Esperamos que todos, dentre eles Thayná, Ygor, Renato, Mateus, Rafael, Marcos, Gabriel, Evaldo e o pequenino Pedro, estejam alegres e dispostos como nos momentos iniciais de sua carreira na fé.


5. Uma dica: Não confundam a liberdade recebida com uma oportunidade para pecar. Estejam atentos para dar curso à vossa vida, afastando-se do pecado, rumo à santidade de Deus. Devemos lembrar que uma tentação específica sempre nos ronda: para que deixemos o evangelho que abraçamos e voltemos para a velha vida, em que o pecado tinha domínio sobre nós, e nos escravizava.


6. Por um lado, o próprio inimigo, Satanás, esforça-se nessa finalidade, sendo ajudado por todos aqueles que, movidos por seus próprios interesses, e pela ganância desenfreada, trabalham no meio do povo de Deus, em louvor de si mesmos e para saciar seus próprios ventres.


7. Evitem esses tais, pois, ao terem se desvirtuado da Palavra de Deus, são instrumentos do inimigo para a vossa destruição. Resistam, alicerçando-se na Palavra de Deus, cujo teor orienta-nos todos na verdadeira fé, uma vez dada aos santos, e anunciada a nós quando de nossa adesão a Cristo.


8. Uma verdade absoluta: o evangelho a nós pregado é único em conteúdo, valor e eficácia para a salvação de nossas almas, pois este é o alicerce da fé cristã.


9. É nosso desejo, também, explicar que ao romper com a antiga maneira de viver, e ao abraçar por livre e espontânea decisão o serviço a Cristo, não somos mais escravos da lei, e sim servos do Rei, tratados como filhos e amigos.


10. Como é bom ver na igreja a renovação diária. Renovação esta causada pelo mover do Espírito, como afirma a Escritura: “e, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito...” (4.6a).


11. É hora para a afirmação da nossa fé, na esperança que está proposta diante de nós, por Jesus Cristo, nosso Salvador. Tal fé é libertadora, encorajadora e dinamizadora, gerando uma fonte inesgotável de vida nos que nela se firmam.


12. É hora de dar lugar a Deus, deixando-o conduzir a nossa vida e produzir em nós seu fruto, que, como afirma Paulo, são “as marcas de Jesus” (6.17). 


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* No dia 7 de dezembro de 2009 deixei as atividades pastorais, após completar 7 anos à frente do ministério pastoral da PIB Fazenda, RJ.

Sumário da obra





Libertos para servir (Reflexões sobre o prazer no serviço a Deus)

Dedicatória . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Poema-tema: Liberdade servil . . . . .
Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . 


Capítulo I – O motivo da 2a carta . . . . . . . . . . . . .
(Estabelecer as bases da fé cristã para novos crentes)

Capítulo II – Dos que anunciam o evangelho da salvação . . 
(Fiéis representantes de Deus)

Capítulo III – Dos que deturpam o evangelho da salvação . 
(Réus de condenação e juízo)

Capítulo IV – Uma espiada na velha vida . . . . . . . . . . . . . . . .
(O apóstolo fala do seu passado)

Capítulo V – A nova percepção de vida do cristão . . . . . . . . . .
(O apóstolo relata a sua mudança)

Capítulo VI – O que vem de Cristo . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . 
(As dádivas de Cristo aos seus)

Capítulo VII – O testemunho apostólico acerca de Cristo . . . 
(Os primeiros apóstolos do evangelho)

Capítulo VIII – De olho nas tentações . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(Identificando as dificuldades iniciais na fé)

Capítulo IX – Figuras do Antigo Testamento . . . . . . . . . . . . .
(Uso que Paulo faz de personagens e imagens veterotestamentárias)

Capítulo X – A escravidão da lei . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
(Um tutor implacável contra o pecado, mas ineficaz)

Capítulo XI – O propósito da lei . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(Conduzir o pecador a Cristo)

Capítulo XII – A Promessa, a lei e a fé . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
(Colocando as coisas em ordem)

Capítulo XIII – Dois tipos de servidão . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
(Servir é um ato de escolha: viver para Deus ou para os desejos pecaminosos)

Capítulo XIV – Enfermidade e solidariedade . . . . . . . . . . . . . 
(A doença do apóstolo e a atitude da igreja)

Capítulo XV – Paulo e o evangelho da liberdade . . . . . . . . . . 
(Pela firmeza na liberdade conseguida)

Capítulo XVI – As obras da carne . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
(Sinais da velha maneira de viver)

Capítulo XVII – O fruto do Espírito . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
(Sinais da nova vida em Cristo)

Capítulo XVIII – Disciplina na igreja . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
(A lei de Cristo: disciplina com amor)

Capítulo XIX – O papel da cruz em Gálatas . . . . . . . . . . . . .  
(Motivo de glória para o crente)

Capítulo XX – As marcas de Jesus . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  
(Consequências de nossa escolha de vida)

Conclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus

A partir de hoje, 8 de janeiro de 2010, disponibilizo meu segundo projeto como escritor, enquanto pastor da PIB da Fazenda Botafogo: um Comentário de Gálatas.

Dedico esta obra ao Soberano Deus, Excelso em Majestade, Honra e Poder, que me permitiu, com toda humildade, interpretar a epístola de Gálatas para a PIB Fazenda, no programa de pregação do primeiro semestre de 2005.

Dedico-a, também, aos novos crentes, os que por mim foram batizados no decorrer dos anos de 2005 a 2008, pois, como diz o livro, todos foram libertados da servidão do pecado para a obediência da fé em Cristo Jesus.

Dedico-a, em especial, aos alunos maravilhosos que comigo discutiram os princípios teológicos aqui apresentados, especialmente, os formandos do STBSB, Campus SJ Meriti, ano de 2003, pois eu lhes devia algo semelhante.

E, finalmente, dedico esta obra à Primeira Igreja Batista da Fazenda Botafogo, não mais sob o meu pastoreio, desde o fim do ano de 2009.

As postagens ocorrerão diariamente.

Este material pode ser utilizado por todos, desde que citada a fonte.

CARVALHO, Davi Freitas de. Libertos para servir: reflexões sobre o prazer no serviço a Deus/ Rio de Janeiro: PIBFB, 2008. In: http://pastordavifreitas.blogspot.com/